segunda-feira, 12 de abril de 2010

A origem da derrapada de Dilma

De Orion Teixeira, editor de política do jornal mineiro Hoje em Dia:

Enquanto faz marola sobre a sucessão estadual, o PT já concluiu que não terá como não apoiar a candidatura a governador do ex-ministro Hélio Costa (PMDB).

A maior dificuldade, agora, será convencer o ex-ministro Patrus Ananias a disputar o Senado. Com a desistência oficial do vice-presidente José Alencar, a segunda vaga ao Senado ficou em aberto, já que a outra seria do favorito na disputa, o ex-governador Aécio Neves (PSDB).

Nesse caso, Patrus disputaria com o ex-governador Itamar Franco (PPS), que, por sua vez, acabou estimulado com a saída de Alencar.

Embora esteja sendo 'obrigado' a abrir mão do Governo de Minas, o PT mineiro não pode deixar de disputar uma posição majoritária para não perder outras lutas por falta de batalhas.

Patrus, por exemplo, não disputa há quase oito anos, depois de ser eleito deputado por meio milhão de votos, em 2002. Além de aglutinar e ajudar Hélio Costa, o partido não pode ficar fora da disputa sob o risco de ficar pequeno.

O apoio do PT ao PMDB, em Minas, faz parte do acordo feito por cima, entre Lula e o partido, além do desejo não expresso do presidente em não enfrentar, diretamente, Aécio em Minas, numa tentativa de reeditar o 'lulécio' neste ano.

A própria pré-candidata Dilma reforçou essa tese ao manifestar um pragmatismo deselegante no momento em que aliados constroem suas forças por aqui.

O deslize da ex-ministra foi estimulado pelo otimismo com que deixou o encontro, em BH, com o especialista em pesquisas e marketing eleitoral, Marcos Coimbra.

Ela ouviu dele que sua situação, como a de Antonio Anastasia (governador de Minas e candidato à reeleição pelo PSDB), é bastante animadora.

De acordo com a análise, 60% do eleitorado sabem que Dilma tem o apoio de Lula. Destes, 40% votam nela; outros 30%, em Serra, situação que projeta a estratégia petista na sucessão sobre o restante dos votantes.

Em resumo, se o país vai bem, o candidato do presidente deverá ser eleito; se Minas vai bem, o candidato do governador será eleito.

Com a receita na mão, Dilma se entusiasmou e não ficou vermelha quando disse que preferia "Anastadilma" a "Dimasia", numa associação de seu nome com o de Anastasia.

Ainda desprovida dos traquejos de candidato, Dilma patina ainda em ser ela própria ou o que seus marqueteiros recomendam.

Nenhum comentário:

Postar um comentário