O pré-candidato do PSDB à presidência da República, José Serra, afirmou nesta segunda-feira que o Estado brasileiro precisa ser fortalecido com o "enxugamento e a criação de entidade eficientes". Ainda assim, ele assumiu o compromisso de criar um ministério para cuidar da segurança pública, outro que cuide dos interesses de pessoas com deficiência e, caso necessário, defenderia a criação de uma "Nova Força" nacional.
"O Estado no Brasil pode ser fortalecido com o enxugamento e a criação de entidades eficientes. Por exemplo, o Estado brasileiro perdeu musculosidade com as agências reguladoras que foram loteadas politicamente. Quando eu era ministro da Saúde, coloquei técnicos e ninguém veio dar palpite. Agora, está tudo loteado entre partidos. Só dá certo por pura coincidência", afirmou a jornalistas, após entrevista ao apresentador José Luiz Datena, da Band.
O pré-candidato tucano disse defender direitos humanos e repressão à violência, além de afirmar que acha necessária a presença do Estado nas questões de Segurança e combate ao tráfico. "A Polícia Federal é muito bem equipada, mas não pode crescer 20% ao ano, ela se desorganizaria", disse para explicar a necessidade de uma "Nova Força".
Segundo Serra, a questão da Segurança Pública precisa de tratamento especializado. "O crime tem de ser tratado por um ministério próprio, o Ministério da Segurança Pública. Essa proposta foi apresentada na campanha de 2002 e agora estou ainda mais convencido de que é algo necessário".
Durante entrevista a Datena, Serra explicou que "o Ministério da Justiça faz outras coisas. O próprio perfil do ministro é sempre de um jurista". Segundo o tucano, "o que é diretamente a repressão, o enfrentamento, tem de ser em um ministério especializado. Você colocaria aí pessoas com esse perfil para reorganizar todo o trabalho de segurança no Brasil".
Serra afirmou que não tem nenhuma posição pré-determinada. "O que eu quero é um Estado musculoso, enxuto e que trabalhe bem. Você não conhece nenhuma área dos esportes, exceto o sumô em que os praticantes sejam obesos. Eficiência e obesidade muitas vezes se contrapõem".
Entrevista
Quatro dias depois de receber a pré-candidata petista, Dilma Rousseff, Datena entrevistou Serra. Com linguajar mais simples do que de costume, o tucano parece ter entendido bem o que disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a entrevista de Dilma na mesma emissora. Para o presidente, a petista está sendo muito "técnica", precisa ser "direta e simples", falar frases mais sintéticas, evitando deixar raciocínios sem conclusão.
Serra abordou microeconomia, relações políticas e comerciais entre Brasil e Irã, saúde, segurança, educação, Bolsa-Família, MST, políticas habitacionais, Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Venezuela e seu presidente Hugo Chávez e usina de Belo Monte. Com quase uma hora de entrevista, o pré-candidato evitou tanto ataques quanto elogios à concorrente Dilma. Contudo, ressaltou que ela é a sua adversária, não Lula, a quem Serra não poupou de elogios, principalmente em se tratando da reforma previdenciária. O PSDB reiterou repetidas vezes que o PT esconde a ex-ministra da Casa Civil atrás da figura de Lula.
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