A cinco dias das prévias para escolha do pré-candidato do PT ao Governo de Minas, começa a entrar água no barco petista. Nos bastidores, comenta-se que a participação de filiados pode ser menor do que o número de eleitores aptos a votar - 120 mil filiados em todo o Estado. O receio entre os defensores das prévias - para escolher entre Patrus Ananias e Fernando Pimentel - é ainda maior: já se fala que o número ficará muito abaixo dos 45 mil votantes do Processo de Eleição Direta (PED) que escolheu, em 2009, a nova direção do partido em Minas.
O próprio presidente da sigla no Estado, deputado Reginaldo Lopes, admite que o partido está desmobilizado. Ele argumenta que os filiados petistas esperavam um acordo interno e não uma disputa no voto entre Patrus e Pimentel. "A militância tem muito carinho pelos dois candidatos e queria entendimento político e não ter que escolher no voto, é uma decisão muito difícil". Lopes, que é do grupo de Pimentel, diz que, mesmo não estando "entusiasmados", os petistas devem comparecer para votar.
Não foi à toa que o ex-ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, "queimou chão" nas últimas semanas percorrendo os quatro cantos do Estado. Ao contrário do seu concorrente direto na disputa interna, ele sempre defendeu a realização das prévias. Isso antes mesmo de se lançarem as negociações para formação de chapa com o PMDB mineiro. Já Pimentel, que tradicionalmente tem mais força na região metropolitana de Belo Horizonte, não se mexeu muito e atuou mais nos bastidores. Para Lopes, a opção do pré-candidato foi "por evitar se desgastar como o Patrus. Por isso, ficou mais recolhido".
Recado à Executiva
Defensor da candidatura do ex-ministro Patrus, o líder da bancada de oposição na Assembleia mineira, deputado João Carlos Siqueira, o Padre João, participou ativamente das peregrinações por Minas. Ele sustenta que o partido está vivendo sua prática de fazer escolhas democráticas. Para o parlamentar, o filiado irá comparecer, sim, à votação.
Padre João admite, no entanto, que a participação pode ser menor que a do PED. "No PED tivemos mais tempo, houve muito mais conflito (havia cinco candidatos ao comando estadual da sigla) e envolveu muito mais gente". O petista sustenta que as prévias servirão para que o PT mineiro dê um recado à direção nacional: de que no Estado o petista quer candidatura própria.
Nenhum comentário:
Postar um comentário