quinta-feira, 29 de abril de 2010

RS: deputado do PP se lança como vice de Yeda antes de aliança

Em meio às negociações do fechamento da aliança entre o PSDB e o PP no Rio Grande do Sul para que os progressistas apoiem a tentativa de reeleição da governadora Yeda Crusius (PSDB), o deputado federal Vilson Covatti (PP) lançou-se, nesta semana, candidato a vice para Yeda. Apesar de o PSDB anunciar que só dará na segunda-feira (3) uma resposta formal ao PP sobre os termos da aliança - os progressistas querem, além da indicação do nome do vice, uma das vagas do Senado, para a qual já definiram a jornalista Ana Amélia Lemos, e a extensão da coligação à chapa proporcional - a atitude do deputado foi vista como uma confirmação prévia da coligação entre os dois partidos.

A direção estadual do PP informou que os nomes dos postulantes a vice deverão passar pelo crivo do diretório. Covatti não se abalou. Segue garantindo que seu nome está à disposição e que será o indicado, garantindo a dianteira em uma disputa para a qual vinham sendo cotados, entre outros, o ex-chefe da Casa Civil, Otomar Vivian, e o deputado estadual e ex-presidente do partido no Rio Grande do Sul, Jerônimo Goergen. Vivian já anunciou que não concorrerá nas eleições de outubro.

Aos 53 anos, Covatti começou a carreira política como vereador na cidade de Frederico Westphalen, no norte do Estado, em 1982. Elegeu-se deputado estadual em 1994 e cumpriu três mandatos na Assembleia Legislativa. Nas eleições de 2002 foi o recordista de votos (94.094). Em 2006, tentou uma vaga na Câmara dos Deputados. Foi o terceiro mais votado do PP, e o sexto do RS, com 168.320 votos. Na mesma eleição, fez deputada estadual a esposa, Silvana Covatti. Após o pleito, ambos tiveram os mandatos ameaçados, por conta de denúncia do Ministério Público Eleitoral sobre captação ilícita de votos em albergues. O caso tratava de albergues mantidos pelo casal nas cidades de Porto Alegre, Passo Fundo e Ijuí, para pessoas que buscavam atendimento médico. Covatti e sua mulher foram absolvidos por unanimidade pelo Tribunal Superior Eleitoral, em março de 2009.

Agora, se confirmada sua candidatura a vice, o deputado planeja lançar o filho, Luis Antônio, para a Câmara. Confira abaixo os principais trechos da entrevista que ele concedeu ao Terra.

Terra - Por que o senhor resolveu se adiantar e colocar seu nome a disposição do partido, que ainda não fechou uma coligação com o PSDB?
Covatti -
Porque eu acredito no projeto da governadora Yeda Crusius (PSDB) e na reeleição dela. Acho que é o melhor para o Rio Grande.

Terra - Mas existem alguns termos, impostos pelo PP, que ainda estão sendo negociados. Não é estranho que, ao mesmo tempo em que o partido assegura que só fecha a coligação mediante algumas condições, alguém já se lance como candidato a vice?
Covatti -
A aliança é com o partido, claro. Eu só manifestei minha posição. E eu acredito que a coligação fecha, porque é uma via de mão única: 90% da base quer a Yeda.

Terra - O PP vai abrir mão da exigência de estender a coligação à chapa proporcional?
Covatti -
Para a majoritária seria importante fechar a proporcional porque, nesse caso, há uma união do grupo, e isso fortalece a aliança. Quem acredita na chapa majoritária concorda com a proporcional.

Terra - A coligação na chapa proporcional não prejudica as bancadas do PSDB e do PPS, que já fechou acordo em torno da tentativa de reeleição da governadora, mas é ainda menor do que o PSDB no Legislativo?
Covatti -
Eles estão fazendo a conta errada. Não muda nada se fizermos a coligação na proporcional. Juntos, para a Câmara, vamos fazer nove deputados: seis do PP e os outros três dos demais partidos. E para a Assembleia Legislativa a unidade do discurso também compensa, facilita para a governadora.

Terra - O PPS corre o risco de desaparecer no Legislativo caso integre a coligação.
Covatti -
Aí vem o trabalho dos partidos políticos. O PPS é um partido importante e não seria bom não o ter na aliança.

Terra - A governadora Yeda Crusius (PSDB) tem menos de 10% das intenções de votos segundo as últimas pesquisas divulgadas, uma delas, inclusive, encomendada pelo PP. E enfrentará adversários de partidos como o PT e o PMDB, que estão empatados em primeiro lugar. O senhor acredita que é possível reverter esses números?
Covatti -
Eu acredito muito na unidade. Acredito na reeleição da governadora, mas temos que colocar um vice que puxe votos. Posso aglutinar a força proporcional do partido, que é de um milhão de votos. Não quero forçar ninguém, mas meu desejo é que o PP decida o quanto antes sobre a aliança.

Terra - O presidente de seu partido informou que os nomes do PP que desejarem a vaga de vice serão submetidos ao diretório. O senhor, contudo, disse que já estava negociando sua indicação.
Covatti -
Eu estive com o Cláudio (o deputado federal Cláudio Diaz, presidente do PSDB no RS), estive com a governadora, estive com o Pedro (Bertolucci, presidente estadual do PP). Isso que estou fazendo não é nada impensado. Se eu coloco meu nome a disposição não é porque eu quero perder a eleição.

Terra - Já que o senhor acredita que a governadora chega ao segundo turno, quem será o seu adversário: Tarso Genro (PT) ou José Fogaça (PMDB)?
Covatti -
São três eleições parelhas. Esta eleição vai ser decidida no trabalho, na proposta, no discurso, no marketing. Esta é a típica eleição em que se deve 'apelar para todos os santos'.


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