O mapa político-eleitoral dos prefeitos baianos demonstra fluidez no direcionamento partidário e constante mutação em função das últimas eleições. Desde 2006, quando ocorreu o último pleito estadual, o cenário mudou de um completo predomínio dos carlistas (grupo liderado pelo falecido senador Antonio Carlos Magalhães) filiados ao antigo PFL, atual DEM, e partidos-satélite, para um domínio dos partidos alinhados ao PT e ao PMDB.
O que não mudou foi a tendência de os gestores fazerem parte das fileiras governistas. Há quatro anos, os prefeitos baianos seguiam, em sua imensa maioria, o então governo Paulo Souto (ex-PFL, hoje DEM e candidato a retornar ao governo em 2010).
Um ano depois da vitória de Jaques Wagner (PT), o quadro já havia se modificado: migração carlista para os partidos da base do governo, em sua maioria para o PMDB. A coligação de Wagner contou com 51 prefeitos nas eleições de 2006, mas esse número pulou para 184 passado um ano de gestão e considerando apenas os alcaides que tentaram reeleição em 2008. O PMDB serviu como o principal guarda-chuva dos adeptos do "PG" (Partido do Governo) e subiu de 20 para 89. Os neopeemedebistas marchavam no carlismo. Depois das eleições de 2008, eles já eram 115.
Fragilidade
O cientista político Jorge Almeida avalia que a filiação partidária não determina, sozinha, o direcionamento eleitoral do prefeito num momento de pleito estadual. "Ele pode ser cooptado por alguém que tenha o controle da máquina pública estadual ou federal", disse.
Isso serve para explicar o fenômeno atual, em que a coligação do pré-candidato Geddel Vieira Lima (PMDB),ex-ministro da Integração Nacional, tem a maioria dos prefeitos (177), junto com o PR, mas não a maioria dos apoios, como os próprios dirigentes do partido admitem. Apesar de o PR ter fechado com os peemedebistas, a maioria de seus prefeitos está com Wagner.
É o caso da prefeita do município de Barreiras, Jusmari Oliveira, e o de Valença, Ramiro de Queiroz, ambos do PR, lista o coordenador de campanha petista, Luiz Caetano. Outros nomes, ele evita falar, temendo perseguição. Já o prefeito de Luís Eduardo Magalhães, Humberto Filho (PR), cidade vizinha a Barreiras, no oeste, ainda não se definiu. "Minha posição é aguardar e conversar com o partido", disse.
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