quinta-feira, 22 de abril de 2010

Em reportagem, 'The Economist' chama Marina de "outro Silva"

ROSANE SOARES SANTANA

Em reportagem intitulada "Another Silva" ("Outro Silva", em português), a mais recente edição da prestigiosa revista britânica The Economist destaca a trajetória de vida da pré-candidata do Partido Verde (PV) ao Planalto, como "uma celebridade ambientalista que disputa a presidência". No texto em que compara a biografia de Marina à do presidente Luis Inácio Lula da Silva, pela origem humilde, a publicação diz que Marina é uma candidata que parecer ter "princípios demais" para enfrentar uma luta dura numa democracia gigante.

Segundo a reportagem, o que Marina perde por estar filiada a um partido pequeno, como o PV, ela tenta ganhar com sua força ética, correndo por fora na disputa. A revista cita recentes pesquisas que colocam Marina na casa dos 10% das intenções de voto, para concluir que a luta da candidata não será fácil. Mas que isso não é ruim, uma vez que muitos brasileiros, como eleitores de outros lugares, não contam, entre suas prioridades, salvar o planeta.

A revista lembra a trajetória de Marina, desde a infância pobre no Acre, o pai seringueiro,a família numerosa de 11 irmãos, com oito sobreviventes, as doenças enfrentadas na floresta - malária hepatite e outras -, que legaram a ela problemas de saúde na fase adulta, como alergias a coisas que vão de frutos do mar a ar condicionado. "Foi um perigoso lugar para crescer", afirmou Marina à revista, que acrescenta ainda no trecho sobre a biografia da ambientalista, o fato de ela ter trabalhado como empregada doméstica para poder estudar na Universidade Federal do Acre.

The Economist destaca a luta de Marina ao lado de Chico Mendes, assassinado em 1988, além de ressaltar que ela foi membro fundador do Partido dos Trabalhadores (PT), junto ao presidente Lula, que a fez ministra do Meio Ambiente quando assumiu o governo, em 2003.

A reportagem avalia que, no governo, Marina estava sendo desgastada por medidas as quais ela foi contrária, como a liberação do plantio da soja geneticamente modificada, a pavimentação da BR-163, através da Amazônia, e a discussão sobre energia nuclear.

De acordo com a revista, em 2008, Marina resignou-se depois de ver transferido para outro ministério (Assuntos Estratégicos), a responsabilidade pela reforma da lei sobre ocupação da terra na Amazônia, quando ela criticou o presidente Lula publicamente.

O texto diz que o principal tema da campanha de Marina é que o Brasil tem a responsabilidade moral de tornar-se um país de alta tecnologia com uma economia de baixo carbono, servindo de exemplo para outros países desenvolvidos. Frisa também que em uma crítica tácita à devoção de Lula pelo estado gigante e por Fidel Castro, Marina diz que o Brasil deve baixar a carga de impostos e não afagar tiranos.

A revista especula sobre a possibilidade de o dono da Natura, Guilherme Leal, aceitar a candidatura a vice na chapa de Marina. Diz que ela (Marina) tem ainda bastante chão para percorrer. E conclui citando declaração da candidata verde: "meu avô disse-me que o animal com as pernas mais curtas tem de correr as maiores distâncias".

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