segunda-feira, 12 de abril de 2010

Com Pimentel na disputa, prévias devem definir nome do PT em MG

Rayder Bragon
Especial para o UOL Notícias
Em Belo Horizonte
O ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel inscreveu-se na noite desta segunda-feira (12) como um dos pré-candidatos para disputar a indicação do nome petista que vai disputar o governo do Estado na eleição de outubro deste ano. O outro nome é o do ex-ministro Patrus Ananias, que havia feito a inscrição no último dia 5. Se as conversações entre os dois não evoluírem, a escolha deverá ser por meio de prévias, informou o presidente estadual do partido, o deputado federal Reginaldo Lopes. Os cerca de 130 mil filiados do partido em Minas Gerais poderão votar na eleição interna.

A iniciativa de Pimentel põe fim, ao menos por enquanto, na tentativa de escolher por consenso o nome petista. Apesar das negativas de ambos os lados, as prévias, que estão marcadas para 2 de maio, expõem o racha entre os dois pré-candidatos. Patrus havia exigido que o procedimento de escolha fosse feito por meio de urnas eletrônicas. Já Pimentel era contrário a essa modalidade por defender que isso atrasaria a entrada do partido no jogo eleitoral. Segundo ele, esse tempo deveria ser usado na costura de coligações com outras legendas.

"Continuamos acreditando em um acordo, não vamos perder a esperança nisso. Estamos dialogando o tempo todo, eu e o presidente nacional do PT [José Eduardo Dutra]. Continuamos querendo o acordo, mas se não for possível, vamos disputar as prévias", disse Pimentel.

O ex-prefeito é um dos coordenadores de campanha da ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, pré-candidata petista para concorrer ao Planalto. Questionado sobre a possibilidade de sair da coordenação para se dedicar exclusivamente à campanha para o governo do Estado, Pimentel negou que esteja, de fato, desempenhando esse papel.

"Coordenação de campanha só vai existir a partir do dia 3 de julho. O que nós estamos fazendo é um trabalho de mobilização, de aglutinação, que eu tenho compartilhado com alguns companheiros do PT. Até lá, nós saberemos como será o desenho da chapa majoritária em Minas Gerais. Se eu fizer parte da chapa, evidentemente eu não posso ser coordenador de campanha nacional”, disse.

Em reunião da executiva estadual do partido, que deverá acabar apenas no final desta noite, está sendo discutida a possibilidade de antecipação das prévias para o dia 25 de abril.

Além dos nomes para o governo do Estado, houve também a inscrição do deputado estadual Weliton Prado e do deputado federal Vírgilio Guimarães como nomes do partido para a disputa no Senado.

Hélio Costa
Além da cisão interna, o partido ainda tem de lidar com pressões vindas do Planalto para que o nome da base aliada em Minas Gerais, 2º maior colégio eleitoral do país, seja o do ex-ministro das Comunicações Hélio Costa (PMDB), para quem Lula já teria dado o seu aval.

A intenção é que Dilma Rousseff tenha apenas um palanque no Estado. Assim, a aliança nacional entre as siglas em torno do nome dela não seria prejudicada pelo racha em Minas Gerais. Alguns peemedebistas alertaram para o fato de o imbróglio em Minas entre PT e PMDB possa ter reflexos no âmbito nacional e prejudicar o acordo.

Por sua vez, alguns petistas mineiros disseram ser favoráveis a palanque duplo para Dilma Rousseff no 1º turno, e uma coligação entre PT e PMDB em um hipotético 2º turno no Estado. Peemedebistas ouvidos pela reportagem disseram ser contrários a esse cenário.

Um deputado do PT, sob condição de não ter o nome revelado, disse à reportagem do UOL Notícias que o nome de Costa não está sendo aceito pela militância petista. Apesar do desejo de Lula, ela quer ver o partido com candidato próprio. A sigla nunca governou o Estado.

O nome apoiado pela base aliada de Lula terá de enfrentar o atual governador do Estado, Antônio Anastasia (PSDB), pré-candidato tucano apoiado pelo ex-governador Aécio Neves.

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