sábado, 5 de junho de 2010

Pimentel diz que não autorizou contatos com arapongas

CLAUDIO LEAL

O ex-prefeito de Belo Horizonte e pré-candidato ao governo de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), foi comunicado no início da tarde do afastamento do jornalista e consultor Luiz Lanzetta da campanha de Dilma Rousseff. Pimentel desmente que tenha autorizado Lanzetta a representá-lo numa conversa com ex-agentes da Polícia Federal, no restaurante Fritz, em Brasília (DF).

"Isso é um absurdo, nunca autorizei nada, não sei do que se trata", diz o ex-prefeito. "Tenho dito que o último contato que tive com a PF foi há 40 anos, quando fui preso (na ditadura militar)", brinca. "É um não-acontecimento que virou um acontecimento".

O petista desfaz também os relatos de brigas internas com o vice-presidente do PT, Rui Falcão, que coordena a área de comunicação da campanha de Dilma. "Não tenho nenhuma disputa de poder com Rui Falcão. Somos amigos há 40 anos, é um querido. Muito menos briguei com Palocci. Temos uma relação fraterna desde o tempo do ministério da Fazenda", acrescenta.

Reportagens dos jornais Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo e da revista Veja descrevem um encontro do proprietário da Lanza Comunicação com o delegado aposentado da Polícia Federal Onézimo Sousa. A proposta seria monitorar o ex-governador de São Paulo José Serra e o deputado federal Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), suspeito de montar uma rede de espionagem contra os petistas.

Na conversa com os arapongas, esteve presente o jornalista Amaury Ribeiro Júnior, autor de um livro inédito sobre as privatizações no governo Fernando Henrique Cardoso. Parte do hipotético dossiê vazado para a imprensa tem origem nessa investigação jornalística.

A cúpula do PT enfatiza que Lanzetta foi procurado por Onézimo Sousa, e não o inverso. "Eles ofereceram o serviço", diz o secretário petista de comunicação, o deputado federal André Vargas. O contrato com a Lanza venceria em 30 de junho, marco final da pré-campanha.

Apesar da despedida do jornalista, numa carta dirigida à direção do PT, não foi selado o rompimento formal. Secretário-geral do partido, José Eduardo Cardozo ressalta que não houve "orientação da campanha pra se fazer dossiê". Se ocorreu desdobramentos do encontro, Lanzetta "não falava em nome da coordenação da campanha", diz Cardozo.

Para Pimentel, as denúncias do PSDB sobre o "suposto dossiê" servem para abafar o crescimento de Dilma nas pesquisas eleitorais e os erros táticos de José Serra, que não definiu seu vice às vésperas da convenção nacional.

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