domingo, 6 de junho de 2010

Em MG, Hélio Costa pode ser confirmado candidato ao governo

JULIANA PRADO
Direto de Belo Horizonte

Com todas as negociações esgotadas e os prazos perto do fim, PT e PMDB mineiros devem selar o destino da aliança para a disputa ao governo do Estado neste domingo (6). Se a escrita for mantida, o senador Hélio Costa (PMDB) será confirmado na liderança da chapa, cabendo ao PT indicar o vice e um nome para o Senado. Neste último caso, a vaga na aliança deve ser mesmo entregue ao ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT). O petista foi dormir no sábado ainda como pré-candidato ao governo, mas muito bem aconselhado a ficar satisfeito com o espaço que lhe foi garantido - a disputa legislativa.

No sábado à noite, lideranças ligadas a Pimentel e Hélio Costa davam como certa a indicação do nome do PMDB para a corrida ao Palácio Tiradentes. Sob clima tenso e em estado de guerra declarado, as duas siglas se reúnem neste domingo em Belo Horizonte para tentar formalizar o acordo. O presidente estadual do PMDB, deputado Antonio Andrade, disse que a intenção do seu partido é fazer o anúncio no domingo mesmo em Minas, e não em Brasília, na segunda-feira, como cogitado.

Às 16h, lideranças das duas siglas se encontram em um hotel da capital mineira para tentar selar a aliança. De manhã, o PT faz uma rodada de conversas com PCdoB, PR e PRB, que também fazem parte da coligação em Minas. O PMDB, no entanto, já avisou que não participa desta reunião. O presidente estadual do PT, Reginaldo Lopes, um dos mais insistentes defensores da candidatura própria, ainda insistia na defesa de Pimentel. "Em Minas, o candidato será do PT", disse, numa espécie de eco ao discurso que adotou nas últimas semanas.

Pressão funcionou
"O Hélio Costa só não será o candidato se ele não quiser", afirmou uma liderança com trânsito entre as siglas. O "jogo pesado" do PMDB durante toda a semana, segundo informações de dirigentes locais, foi fundamental para colocar água nos planos petistas. A cúpula peemedebista, que vinha fazendo ameaças veladas, levou até dirigentes nacionais do PT e do governo Lula a informação de que vetaria a chapa nacional (Dilma Rousseff e Michel Temer) se o Estado não fosse pacificado, mesmo que "na marra".

Sob estas condições, PT e PMDB devem ir para a campanha em clima de animosidade. Por isso mesmo, os peemedebistas vão fazer o que puderem para que o vice de Hélio Costa, no caso de se confirmar sua candidatura, seja o ex-ministro de Lula, Patrus Ananias. "Patrus é um bom nome para vice, sem dúvida nenhuma", disse o dirigente Antonio Andrade. O nome do ex-ministro, que tem grande aceitação entre os filiados petistas, é visto como uma alternativa para que a militância se "empolgue" mais com a campanha.

Apesar das negativas de Patrus, as negociações para que ele aceite a missão "indigesta" já estariam avançadas. O deputado estadual André Quintão, do grupo de Patrus, negou que o martelo já esteja batido, mas lembrou que o ex-ministro é "uma pessoa partidária". Para Quintão, no entanto, ele não entrará em uma chapa como vice apenas para figurar e garantir um arranjo partidário. "Se for para entrar num processo onde ele contribua com uma lógica política forte, evidente que ele não vai se furtar a fazer um debate neste sentido".

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