sábado, 1 de maio de 2010

PP gaúcho negocia indicação de Dornelles para vice de Serra

O Partido Progressista do Rio Grande do Sul está no centro das articulações para que o senador Francisco Dornelles, presidente nacional da sigla, seja o indicado a vice de José Serra, pré-candidato à presidência da República pelo PSDB, sepultando a possibilidade de apoio do PP à pré-candidata do PT, Dilma Rousseff. Com a proximidade do período de convenções, no mês de junho, o PP gaúcho lançou o peso que tem nacionalmente para fazer valer sua vontade, externada mesmo com a participação do partido no governo Lula.

Desde que surgiram as primeiras especulações de que Dornelles poderia ser o vice de Serra, o deputado federal Luis Carlos Heinze (PP-RS) conversa sobre o assunto com o senador. Heinze participou da articulação do almoço que a bancada federal gaúcha teve com Dornelles na residência do senador, na última quarta-feira (28), em Brasília.

Os deputados foram "empenhar seu apoio" ao ex-ministro. No mesmo dia (28), a Executiva Nacional do PP liberou os diretórios estaduais para fazerem as alianças que desejarem. No dia seguinte (29), em entrevista àRádio Gaúcha, Dornelles lembrou que o diretório do Rio Grande do Sul é o mais forte do partido e que o PP nacional não tomará nenhuma decisão com a qual o PP do Estado não concorde.

É tamanha a vontade dos progressistas gaúchos de se aliarem a Serra que no ano passado, quando ainda não havia no PSDB definição entre os nomes de Serra e do ex-governador mineiro Aécio Neves em relação à disputa presidencial, no Rio Grande do Sul, o PP tirou posição de apoio a Serra.

A força do PP gaúcho - o partido contabiliza no Rio Grande do Sul 200 mil do 1,2 milhão de filiados no Brasil - já fez com que o PSDB do Estado encaminhasse à direção nacional do partido, também nesta semana, apoio ao nome de Dornelles. A proposta é parte das negociações para o fechamento da aliança entre PP e PSDB no Estado.

O deputado Heinze garante que Dornelles é o "homem certo" ao lado de Serra. Segundo o parlamentar, ele é o que os progressistas chamam de "alguém com o DNA do PP".

Produtor rural, expoente da bancada ruralista no Congresso, ex-prefeito da cidade de São Borja, Claudio Heinze é deputado federal desde 1999. Foi recordista de votos do PP para a Câmara nas eleições de 2006 (205.734) e segundo mais votado do Estado (apenas ele e a deputada Manuela D'Ávila, do PCdoB, com 271.939 votos, passaram dos 200 mil).

Era o preferido da governadora Yeda Crusius (PSDB) para ser o candidato à vice em sua tentativa de reeleição no pleito deste ano, mas declinou do convite. O deputado vai disputar novamente uma cadeira na Câmara.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista de Luis Carlos Heinze:

Terra - O senhor acredita que o nome do senador Francisco Dornelles vai se consolidar para vice de José Serra?
Heinze - É um nome que completaria o trabalho do Serra. Foi ministro de governos passados, é senador por um Estado importante, o Rio de Janeiro. E o fato de ser tão próximo da família de Tancredo Neves pode ter um apelo importante em Minas Gerais, no engajamento de Minas. Ele também tem um laço com o Rio Grande do Sul, porque seu pai era daqui. Além de ser íntegro, correto, um nome acima de qualquer suspeita. Naquele rolo das denúncias do mensalão, por exemplo, nós o colocamos na presidência do partido e acabaram as fofocas. Há um movimento forte para sua indicação e estamos torcendo pelo senador.

Terra - O fato de o senador ter laços sentimentais com Minas Gerais e Rio Grande do Sul seria uma forma de, com sua indicação, fazer frente à candidatura de Dilma Rousseff (PT), cuja trajetória familiar também está vinculada a estes dois Estados?
Heinze - Com certeza também ajudaria nessa questão da Dilma. Nesta altura dos acontecimentos temos que somar. E ele soma. Acho que sua indicação seria extremamente importante para a candidatura do Serra.

Terra - O PP então está mesmo tentando emplacar o nome de Dornelles para vice do PSDB?
Heinze - Não somos nós. A mídia está colocando e não somos nós que estamos plantando essas notícias. O PSDB que está colocando, não é o PP. É aquela coisa: não adianta eu me oferecer se não me querem, entendeu? Se vem da parte do Aécio (Neves, ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato do PSDB mineiro ao Senado) e de Minas, então é isso. Já no Rio de Janeiro há uma divergência. Lá o PP está com o PMDB e o PSDB com PV, DEM e PPS. Mas acreditamos que tudo se acomoda.

Terra - No Rio Grande do Sul, o Partido Progressista está fechado com a indicação de Dornelles?
Heinze - O PP do RS fecha totalmente com ele. Eu já tinha falado pessoalmente com ele. Na quarta ele nos convidou para almoçar em sua casa. Os cinco deputados da bancada gaúcha do PP foram. Aqui é unânime.

Terra - Então no Rio Grande do Sul o PP vai mesmo fechar uma aliança com o PSDB?
Heinze - A base, a ampla maioria, está a favor de coligar com a Yeda e o Serra.

Terra - O PP então vai abrir mão de estender no Estado a coligação à chapa proporcional. Há como equacionar isso? Como o senhor se posiciona?
Heinze - Equacionar eu acho difícil. Eu desde o início disse que vou respeitar a posição dos meus colegas candidatos. Vou respeitar o que eles decidirem.

Terra - O acordo sai antes da visita de José Serra ao Estado, no dia 4 de maio?
Heinze - Temos que resolver este assunto logo. Já passamos isso ao próprio Dornelles. Porque para eles, o PSDB, a coligação aqui é extremamente importante. O PP tem diretórios em todos os municípios do Rio Grande do Sul. O PSDB e o PPS não. Isto é um ponto a ser considerado. Fechar o palanque com Serra e Yeda. O Diaz (o deputado federal Cláudio Diaz, presidente do PSDB no Rio Grande do Sul) está ouvindo o pessoal. Nós do PP estamos aguardando uma resposta.

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