sábado, 1 de maio de 2010

Lula assume estratégia de afastar Serra do "lulismo"

No discurso de 1º de Maio, na festa latino-americana da CUT (Central Única dos Trabalhadores), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou a estratégia de assumir o confronto com o pré-candidato do PSDB, José Serra, que tenta se vincular à sua popularidade do presidente e encarnar o "pós-Lula". Ladeado por Dilma Rousseff, o líder petista semeava lacunas no discurso para serem preenchidas por gritos da plateia: "Dilma! Dilma!".

"É preciso que tenha o sequenciamento... (gritos do público: "Dilma! Dilma!") Ô, Dilma, você ouviu o que eu falei? Se-quen-ci-a-men-to... Quando eu comecei, falava 'menas laranjas'!", disse Lula, interrompido por gritos de sindicalistas.

Mais adiante, sem sutilezas, o pré-candidato ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante (PT), levantou os braços de Dilma quando Lula voltou a defender a continuidade de seu projeto. "O maior desafio não é eleger quem vai me suceder... Não sabemos ainda quem vai ser, nem como vai ser...", insinuou Lula.

O pré-candidato tucano à presidência tem declarado que pretende reforçar os programas sociais do governo Lula e reiterado, frequentemente, que não vai acabar com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Bolsa-Família. Serra evita fazer críticas diretas ao presidente e reconhece os bons resultados do adversário. Nesta quinta-feira (29), Serra parabenizou Lula, via Twitter, por estar entre os 25 líderes que mais influenciam o mundo em 2010, segundo a revista "Time".

Mercosul
Lula rebateu, sem nominar, a crítica do pré-candidato José Serra (PSDB) à prioridade dada pela política externa brasileira ao Mercosul. Ele declarou que decidiu "fortalecer o Mercosul" no início do primeiro mandato, para torná-lo "a maior base comercial do Brasil". Em seguida, usou reticências, para insinuar: "Alguns disseram...". O tucano chegou a caracterizar o organismo como "uma farsa".

Com rispidez, o presidente criticou os antecessores: "Ficávamos de costas para a América do Sul. Hoje a América Latina é o maior parceiro comercial do Brasil. Depois, resolvemos ir para a África". Noutra estocada na diplomacia de FHC, Lula afirmou que os governantes brasileiros tinham vergonha de se voltar para África.

"Eles se esqueciam que a beleza desse povo é a mistura do negro, do índio e do europeu", disse Lula, para depois fazer mais uma crítica ao eixo diplomático tucano: "era só Frankfurt, Londres, Paris, Londres, Paris..."

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